Aston Martin abandona o papel de carro de segurança na F1
Está a ocorrer uma mudança simbólica no mundo da Fórmula 1, que certamente agradará ao campeão mundial Max Verstappen: a Aston Martin anunciou que, a partir de 2026, deixará de fornecer os carros de segurança e médicos à categoria rainha do desporto motorizado. Chega assim ao fim uma era de cinco anos em que o British Racing Green e o Prata (ou Vermelho) alemão se alternaram na frente do pelotão. Com isto, a Mercedes-AMG prepara-se para recuperar o domínio total que exerceu durante um quarto de século.
A saída da Aston Martin não apanha ninguém de surpresa. Apesar do discurso oficial falar em término natural de contrato e em gratidão pela visibilidade acrescida da marca, há muito que circulam rumores no paddock sobre o desempenho das máquinas britânicas. O episódio mais célebre ocorreu em 2022, quando Verstappen apelidou o Aston Martin Vantage de "tartaruga verde" por não ter velocidade suficiente para manter os pneus de F1 na temperatura ideal. Nem as evoluções posteriores do modelo, nem os aumentos de potência, conseguiram calar totalmente as críticas de quem defendia que o Mercedes-AMG GT Black Series jogava noutra liga como instrumento de pista.
Do ponto de vista estratégico, a decisão da Aston Martin faz todo o sentido. 2026 será um ano de viragem técnica profunda na F1: novos motores, novos combustíveis e, para a Aston Martin, uma parceria exclusiva com a Honda. Lawrence Stroll, proprietário da equipa, está a canalizar todos os recursos para transformar a Aston Martin numa candidata ao título, em vez de se limitar a ser uma montra de marketing com carros bonitos a liderar o pelotão em ritmo lento. Se o papel de carro de segurança serviu de fanfarra para o regresso da marca, essa missão está cumprida.
A Mercedes, que fornece carros de segurança à F1 desde 1996, volta assim a assumir o papel em exclusivo. Para os adeptos, isto significa que, em situações de pista perigosa, verão apenas um tipo de "pastor" — provavelmente com a vistosa decoração vermelha do patrocinador principal da Mercedes, a CrowdStrike. Quanto à Aston Martin, aposta que em 2026 os seus carros verdes estarão a liderar o pelotão, mas em corrida, não atrás do safety car.