Honda corta preços e aposta na embraiagem automática
A Honda entrou em 2024 a mostrar jogo aberto, anunciando uma gama de 15 modelos de estrada para 2026. O grande destaque vai para a expansão da tecnologia E-Clutch à popular CB750 Hornet, permitindo mudanças de velocidade sem tocar na manete da embraiagem. A marca japonesa volta assim a tentar conquistar quem nunca se entendeu com a embraiagem tradicional ou simplesmente não tem paciência para ela.
Para lá das novidades tecnológicas, a Honda surpreendeu desta vez ao aplicar uma dose rara de realismo nos preços. Em vez dos habituais aumentos, a marca baixou o preço recomendado de vários modelos-chave. A CB500 Hornet e a CBR500R ficaram cerca de 900 euros mais baratas, enquanto as versões de 650 cc com E-Clutch desceram aproximadamente 600 euros. A estratégia é clara: seduzir quem tem motos mais pequenas a dar o salto para as desportivas de maior cilindrada sem arruinar o orçamento.
A renovada CB750 Hornet é a primeira da família a juntar a embraiagem eletrónica ao acelerador eletrónico, prometendo um controlo ainda mais preciso. Mas a Honda não esqueceu os puristas: a CB1000 Hornet SP, com o seu motor de litro sem filtros, e a Fireblade SP, carregada de tecnologia de pista, regressam para quem prefere agressividade pura à comodidade do dia a dia.
Apesar do discurso corporativo habitual sobre inovação e "prazer de condução", esta é uma jogada pragmática para defender quota de mercado. Ao oferecer uma gama que vai da modesta XR150L à luxuosa Gold Wing, e ao baixar o preço e simplificar a condução, a Honda quer manter a liderança num segmento onde a concorrência não abranda. Os novos modelos chegam aos concessionários entre janeiro e fevereiro, dando tempo aos fãs para decidir se vale a pena experimentar a nova embraiagem ou se preferem manter-se fiéis ao clássico.