Justiça da Califórnia proíbe Tesla de usar 'Autopilot'
A Tesla levou um puxão de orelhas há muito esperado na Califórnia. Um tribunal estadual proibiu a marca de usar os termos Autopilot e Full Self Driving nas descrições dos seus veículos, considerando que induzem os consumidores em erro quanto às reais capacidades dos carros. A decisão obriga a Tesla a mudar rapidamente a sua linguagem sob pena de ver as vendas suspensas no maior mercado de elétricos dos EUA.
O processo, movido pelo Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia, terminou com a decisão de que a Tesla já não pode publicitar os seus sistemas de assistência à condução com linguagem que sugira autonomia total. Segundo o Wall Street Journal, o tribunal deu à empresa 90 dias para alinhar todo o material de marketing com a decisão. Se não o fizer, arrisca-se a uma proibição de vendas em todo o estado.
Os reguladores concluíram que, desde 2022, a Tesla recorreu a termos que criaram uma perceção enganosa junto dos compradores. Os carros não conseguem operar de forma independente sem supervisão constante do condutor, mas os nomes Autopilot e Full Self Driving sugeriam precisamente o contrário.
Os advogados da Tesla defenderam que a empresa sempre explicou os limites dos seus sistemas. As advertências estavam presentes no site, no sistema de infoentretenimento dos carros e nos manuais do proprietário. A exigência de manter as mãos no volante e a atenção na estrada, segundo a Tesla, era clara.
O tribunal não se deixou convencer. O argumento central foi que a linguagem publicitária molda a primeira impressão e que as letras pequenas não anulam uma mensagem principal enganosa. Como resultado, o tribunal decretou uma suspensão de vendas de 30 dias, com aplicação adiada por 90 dias após acordo com a autoridade de transportes.
A Tesla descreveu a decisão como uma medida de proteção do consumidor num setor onde, segundo a marca, não existiam queixas reais de clientes. Ainda assim, prometeu fazer as alterações necessárias para evitar o congelamento das vendas na Califórnia. Na prática, isso significa abandonar palavras que moldaram a imagem tecnológica da empresa durante anos.
Parece claro que reguladores e tribunais deixaram de tolerar marketing que corre mais depressa do que a tecnologia. A Tesla construiu a sua narrativa com a promessa de um futuro quase autónomo. Agora, as autoridades exigem mais rigor e menos fantasia. O progresso não vai parar, mas toda a indústria é pressionada a falar menos de sonhos e mais de realidade.