Mercado automóvel europeu recua, elétricos avançam
O mercado de automóveis novos da União Europeia arrancou o ano em baixa. Apesar da base de comparação modesta do ano passado e de sinais de estabilização económica, as matrículas em janeiro caíram. Foram registados 799.625 carros de passageiros, menos 3,9% face ao mesmo mês de 2023, com destaque para o crescimento dos modelos eletrificados.
A transição estrutural para longe dos motores de combustão interna continua a acelerar. Em janeiro, registaram-se 799.625 novos automóveis de passageiros na UE, uma queda de 3,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Mas por detrás deste recuo global, a mistura de motorizações revela outra realidade.
Os modelos a gasolina e gasóleo continuam a perder terreno, enquanto os veículos eletrificados consolidam a sua posição. Os elétricos a bateria registaram um aumento de 24,2% nas matrículas, atingindo uma quota de mercado de 19,8%. Os híbridos plug-in cresceram ainda mais, 28,7%, e já representam 9,8% do mercado.
Os híbridos convencionais mantêm-se como a alternativa preferida: as vendas subiram 6,2%, garantindo aos HEV uma fatia dominante de 38,6%. No conjunto, os modelos eletrificados já representam a maioria clara das novas matrículas na UE. A transição deixou de ser experimental para se tornar estrutural.
O recuo global deve-se sobretudo à fraqueza dos maiores mercados automóveis europeus, onde a incerteza económica continua a condicionar o comportamento dos consumidores. Alemanha e França registaram ambas quedas de 6,6% nas matrículas, penalizando o total da UE. Itália contrariou a tendência, crescendo 6,2%, enquanto Espanha subiu modestos 1,1%.
Estas diferenças evidenciam a recuperação desigual no bloco europeu. Incentivos fiscais, subsídios nacionais e o sentimento económico local continuam a influenciar as decisões de compra.
Os números de janeiro mostram um mercado dividido entre a cautela e a transformação. A procura global mantém-se frágil, mas quem compra prefere cada vez mais opções eletrificadas. Para os construtores, a mensagem é inequívoca: o crescimento em volume pode ser difícil a curto prazo, mas o rumo está traçado. A era do domínio dos motores de combustão está a dar lugar a um panorama mais complexo e eletrificado.