Porsche vende as participações na Bugatti Rimac e no Rimac Group: o foco regressa à marca principal
A Porsche AG vende a sua participação de 45 por cento na Bugatti Rimac e a sua participação de 20,6 por cento no Rimac Group a um consórcio internacional de investidores liderado pela HOF Capital. A operação retira totalmente a Porsche da estrutura conjunta da Bugatti e da Rimac e dará ao Rimac Group o controlo da Bugatti Rimac após a sua conclusão. A Porsche justifica o passo com a necessidade de voltar a concentrar-se na sua atividade principal.
A Porsche abandona a estrutura acionista da Bugatti Rimac
A Porsche assinou acordos para vender as suas participações na Bugatti Rimac e no Rimac Group a um consórcio liderado pela empresa de investimento HOF Capital, sediada em Nova Iorque. Segundo a Porsche, a conclusão da operação depende das condições prévias habituais, incluindo aprovações regulatórias, e deverá entrar em vigor antes do final de 2026.
A Bugatti Rimac foi criada em 2021 como uma joint venture entre a Porsche e o Rimac Group. Nesta estrutura, a Porsche detinha 45 por cento e o Rimac Group 55 por cento. Além disso, a Porsche mantinha separadamente uma participação de 20,6 por cento no Rimac Group. Agora, a Porsche vendeu integralmente ambas as posições.
Nova estrutura de poder: HOF Capital, BlueFive e Mate Rimac
O consórcio comprador é liderado pela HOF Capital, mas, segundo o comunicado oficial da Porsche, a BlueFive Capital é o maior investidor no mesmo. O consórcio inclui também investidores institucionais dos EUA e da Europa. Após a conclusão da operação, o Rimac Group passará a controlar a Bugatti Rimac e celebrará uma parceria estratégica com a HOF Capital e a BlueFive Capital para o crescimento futuro.
Ao mesmo tempo, a HOF Capital tornar-se-á o maior acionista do Rimac Group, juntamente com o fundador da Rimac e CEO da Bugatti Rimac, Mate Rimac. Isto altera de forma clara a estrutura acionista da Bugatti Rimac, tornando-a mais empresarial e mais centrada em investidores financeiros: a influência da era Volkswagen e Porsche recua, enquanto o papel da Rimac aumenta.
O valor da operação permanece oficialmente em segredo
A Porsche não divulga os termos financeiros da operação. Segundo a Reuters, uma fonte com conhecimento do assunto avaliou a Bugatti Rimac em mais de mil milhões de dólares, mas a Porsche e a Bugatti Rimac não comentaram.
Porsche vende a participação sob pressão
O exercício financeiro de 2025 da Porsche foi um forte revés: a receita caiu de 40,08 mil milhões de euros para 36,27 mil milhões de euros e o lucro operacional caiu de 5,64 mil milhões de euros para 413 milhões de euros. Segundo os próprios dados da Porsche, os custos extraordinários totalizaram cerca de 3,9 mil milhões de euros, dos quais 2,4 mil milhões estavam relacionados com a reformulação da estratégia de produto e a escalabilidade da empresa, 700 milhões com atividades de baterias e 700 milhões com tarifas dos EUA.
Este contexto dá à venda uma lógica estratégica clara. A Porsche não está apenas a vender uma participação minoritária numa empresa exótica de hipercarros, está também a libertar capital e foco de gestão num momento em que a marca principal precisa de recuperar a rentabilidade, depois de a margem ter caído de 14,1 por cento para 1,1 por cento em 2025.
Para a Bugatti, isto significa um novo capítulo
Do ponto de vista da Bugatti, a saída da Porsche não significa necessariamente um enfraquecimento. O Rimac Group passará a controlar a joint venture e trará novos investidores cujo interesse está centrado no crescimento de longo prazo da marca de luxo. Ao mesmo tempo, o perfil de risco muda: a cultura de engenharia da Porsche e o suporte industrial do grupo Volkswagen serão substituídos, em maior medida, pelo capital de investidores financeiros e pela ambição tecnológica da Rimac.