Prejuízos da Xiaomi nos elétricos disparam: quase 5.600 dólares por carro entregue
O negócio automóvel elétrico da Xiaomi está a crescer depressa, mas ainda não chegou ao lucro. No primeiro trimestre de 2026, a perda operacional do segmento Smart EV, AI e outras novas iniciativas atingiu 3,1 mil milhões de yuans.
As vendas estão a subir, tal como os prejuízos.
A Xiaomi entregou 80.856 automóveis elétricos durante o trimestre. Esse valor traduz-se numa perda do segmento de cerca de 5.600 dólares por veículo entregue. Um ano antes, o valor equivalente rondava os 900 dólares.
Ainda assim, este número exige cautela. A Xiaomi não apresenta as contas do negócio automóvel de forma separada. Em vez disso, agrega veículos elétricos, inteligência artificial e outras novas iniciativas num único segmento. Por isso, os 5.600 dólares não representam diretamente a perda em cada carro vendido.
Segundo a empresa, o resultado foi afetado por incentivos à compra, pela subida dos preços de componentes essenciais e por uma maior proporção de versões mais baratas no mix de vendas. O trimestre incluiu também a transição da primeira geração do SU7 para o modelo atualizado.
A procura não parece ser, por agora, o principal problema da Xiaomi. As encomendas continuam fortes e a empresa está a alargar a gama de modelos, mas o crescimento rápido exige investimentos elevados em produção, marketing e desenvolvimento.
A margem bruta dos elétricos da Xiaomi manteve-se respeitável pelos padrões da indústria automóvel, mas ainda não chega para cobrir todos os custos da expansão. A empresa precisa de provar que consegue transformar volumes de vendas elevados em lucro duradouro.
A pergunta central para os próximos anos é simples: conseguirá a Xiaomi repetir no automóvel o efeito de escala que alcançou nos smartphones? O produto parece competitivo, mas o negócio automóvel já está a revelar-se uma experiência muito mais cara do que poderia ter parecido inicialmente.