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Nem tudo são más notícias: Toyota volta a registar lucro líquido após mais de 15 anos

Toyota Corolla 60th Anniversary (Foto: Toyota)
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A Toyota obteve cerca de 12,3 mil milhões de euros de lucro líquido entre abril e setembro de 2026, mais 26% do que no período homólogo. As receitas subiram 9,5%, apesar de o número de veículos vendidos ter recuado ligeiramente. O fabricante japonês também reviu em alta a previsão de lucro para o conjunto do ano, mostrando que a sua aposta nos híbridos pode gerar uma rentabilidade elevada mesmo num contexto de concorrência chinesa e tensões comerciais internacionais.

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Menos veículos vendidos, mas mais lucro

Segundo o relatório financeiro da empresa, as receitas no primeiro semestre do exercício atingiram 26,96 biliões de ienes, ou cerca de 148 mil milhões de euros. O lucro operacional subiu 9,2%, para cerca de 12 mil milhões de euros, enquanto o lucro líquido atribuível aos acionistas da empresa-mãe aumentou 26,1%.

A Toyota vendeu 4,758 milhões de veículos no mesmo período, menos 0,5% do que um ano antes. O crescimento do lucro não resultou, portanto, de um aumento das vendas de veículos, mas dos preços praticados, dos serviços financeiros e de efeitos cambiais favoráveis.

A desvalorização do iene aumentou o valor dos lucros obtidos no estrangeiro. A redução dos custos associados às tarifas de importação dos EUA e a gestão de custos da empresa também contribuíram para melhorar as suas perspetivas financeiras.

Nem todos os indicadores foram igualmente positivos, porém. Entre julho e setembro, o lucro líquido trimestral da Toyota caiu cerca de 19% face ao período homólogo, embora o lucro operacional tenha aumentado. Isto mostra que o forte resultado semestral não significa um crescimento uniforme de todos os indicadores financeiros.

Os híbridos mantêm a Toyota competitiva

A procura sustentada por automóveis híbridos continua a ser um fator importante para os resultados da Toyota.

Enquanto vários concorrentes investiram fortemente em modelos totalmente elétricos, a Toyota manteve uma oferta diversificada de motorizações. As versões híbridas do Corolla, do RAV4 e de outros modelos populares permitem à empresa responder a compradores que procuram consumos de combustível mais baixos, mas ainda não estão preparados para mudar para um automóvel totalmente elétrico.

Isto é particularmente importante no mercado dos EUA, onde a subida dos preços dos combustíveis tornou os híbridos mais atrativos.

Na China, a situação é mais difícil. Os fabricantes locais de automóveis elétricos pressionam a Toyota tanto nos preços como na tecnologia. Esta pressão obriga a empresa a desenvolver automóveis elétricos e software adaptados às necessidades locais.

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Na Europa, os híbridos da Toyota concorrem sobretudo com modelos eletrificados da Renault, da Hyundai e da Volkswagen. A tecnologia consolidada, os elevados volumes de produção e uma gama alargada de modelos continuam a ser pontos fortes da Toyota.

Toyota revê em alta a previsão de lucro em 15%

A Toyota elevou a previsão de lucro operacional para o exercício que termina em março de 2027 de 3,4 biliões de ienes para 3,9 biliões de ienes, ou cerca de 21,4 mil milhões de euros.

Espera-se que o lucro líquido atinja cerca de 19,6 mil milhões de euros. Ao mesmo tempo, a empresa reduziu a previsão de receitas anuais, indicando que espera obter mais lucro com receitas inferiores.

A Toyota planeia também um programa substancial de distribuição de capital aos acionistas, que poderá atingir cerca de 77 mil milhões de euros até março de 2031.

Entretanto, a empresa continua a investir fortemente em eletrificação, tecnologia de produção e robótica.

O sucesso da Toyota não significa que os automóveis elétricos tenham falhado

Seria fácil interpretar os resultados da Toyota como prova de que a transição para os automóveis elétricos foi prematura. A realidade é mais complexa.

O lucro da empresa beneficia da procura por híbridos, de taxas de câmbio favoráveis, dos preços praticados e dos serviços financeiros. Nem todos estes fatores podem ser atribuídos à sua estratégia de motorizações.

Os resultados mostram, porém, que a abordagem mais cautelosa da Toyota à eletrificação lhe permitiu manter uma gama rentável numa altura em que alguns concorrentes enfrentam uma reavaliação difícil dos custos de desenvolvimento e dos volumes de produção de automóveis elétricos.

A maior vantagem da Toyota não reside apenas na sua tecnologia híbrida, mas na capacidade de obter lucro com a venda de automóveis com diferentes motorizações. Esta estratégia está, por agora, a funcionar bem na Europa e nos EUA. Na China, porém, a empresa terá de provar que consegue competir com igual sucesso com uma nova geração de automóveis elétricos.