Euro NCAP penaliza a dependência dos ecrãs táteis: elétricos chineses perdem pontos na facilidade de utilização
O entusiasmo de longa data da indústria automóvel pelos ecrãs táteis começa finalmente a ter consequências negativas. Os novos testes de segurança do Euro NCAP mostram que acionar funções básicas em vários automóveis elétricos chineses é desnecessariamente complicado. O Leapmotor B05 obteve zero pontos na facilidade de utilização dos comandos, enquanto o BMW iX3 alcançou a pontuação máxima. Ainda assim, todos os modelos chineses em causa receberam cinco estrelas na avaliação global de segurança.
Botões físicos voltam a valer pontos na avaliação de segurança
A metodologia de avaliação do Euro NCAP para 2026 dá maior importância à interação entre o condutor e o automóvel.
Para alcançar a classificação mais elevada, os indicadores de mudança de direção, os limpa-para-brisas e lava-vidros, as luzes de emergência, a buzina e a função de chamada de emergência têm de ser acionados através de comandos físicos. Escondê-los em menus no ecrã tátil reduz a pontuação atribuída à facilidade de utilização.
Segundo a nova metodologia, o Audi Q7 obteve uma pontuação global de 90% nos comandos e a pontuação máxima na facilidade de utilização das funções de condução mais importantes. O Kia EV2 também alcançou excelentes resultados.
O monovolume elétrico chinês Xpeng X9 teve um desempenho consideravelmente pior. O acionamento das suas funções básicas depende demasiado do ecrã tátil central, pelo que o automóvel obteve apenas 20% dos pontos possíveis nessa avaliação.
O Euro NCAP salienta que os botões físicos permitem aos condutores executar tarefas importantes mais rapidamente, reduzindo a necessidade de desviar o olhar da estrada.
Leapmotor fica a zero, BMW obtém pontuação máxima
Os novos critérios de avaliação revelam diferenças significativas entre fabricantes. As pontuações na facilidade de utilização dos comandos básicos foram as seguintes:
BMW iX3: 100%. Audi Q7: 100% nas funções básicas, com uma pontuação global de 90% nos comandos. Cupra Raval: 80%. Geely E2: 80%. Xpeng X9: 20%. Zeekr 7GT: 20%. Aion UT: 20%. Leapmotor B05: 0%.
O resultado do Geely E2 é particularmente elucidativo. A origem chinesa de um automóvel não implica necessariamente uma má ergonomia, e a Geely mostra que um elétrico acessível também pode ter comandos físicos colocados de forma criteriosa.
Uma pontuação baixa nos comandos não significa, contudo, uma fraca segurança em caso de colisão. O Xpeng X9, o Zeekr 7GT, o Aion UT e o Leapmotor B05 receberam todos cinco estrelas na avaliação global do Euro NCAP.
Xpeng X9 também tem dificuldades no reconhecimento dos limites de velocidade
As falhas do Xpeng X9 não se limitam à utilização do ecrã tátil. O reconhecimento de sinais de trânsito e de limites de velocidade também apresentou problemas durante o ensaio de estrada de 2000 quilómetros realizado pelo Euro NCAP na Europa. O sistema não conseguiu interpretar de forma fiável limites de velocidade condicionais, como os aplicáveis em caso de chuva ou a veículos pesados de mercadorias. Houve também falhas na apresentação do último limite de velocidade detetado. Noutras áreas, porém, o X9 teve um bom desempenho. Os sistemas eficazes de prevenção de colisões e o bom desempenho na segurança pós-colisão ajudaram-no a alcançar a classificação global máxima de cinco estrelas.
O Audi Q7 e o Kia EV2 também receberam cinco estrelas. Os sistemas de assistência à condução de ambos têm em conta o nível de atenção do condutor e ajustam em conformidade a intensidade dos avisos e das intervenções.
Uma importante mudança de rumo para a indústria automóvel europeia
Os novos critérios afetam todos os fabricantes de automóveis que competem no mercado europeu. Reduzir o número de comandos físicos ajudou os fabricantes a simplificar os interiores e a cortar custos, mas a metodologia do Euro NCAP dá agora uma clara vantagem aos automóveis cujas funções básicas podem ser acionadas sem percorrer menus no ecrã.
Não se trata, porém, de uma lei que proíba os ecrãs táteis. O Euro NCAP é uma organização independente de avaliação de segurança, e os resultados dos seus testes influenciam sobretudo as classificações de segurança dos veículos e as escolhas dos compradores.
Importa também notar que um automóvel não precisa de obter a pontuação máxima em todas as categorias de avaliação para receber cinco estrelas.
A mensagem do Euro NCAP é simples: um ecrã grande não torna automaticamente um automóvel mais moderno ou mais seguro. Se os condutores tiverem de percorrer menus à procura da opção certa para acionar os limpa-para-brisas ou as luzes de emergência, os engenheiros foram longe demais em detrimento da facilidade de utilização.